Design de mundos e o mercado editorial de rpg
ago 11, 2010 at 16:17 in Post dos Membros by Fernando Yu~ki de Sousa
Pouca gente sabe, mas pra se fazer um cenário de rpg é necessário saber muito mais do que escrever roteiros. Precisa saber, antes de mais nada, construir o mundo onde as histórias, contos, aventuras e todas as outras partes integrantes irão se passar, com suas características geográficas, culturais, fisiológicas, suas formas de vida, seus ecossistemas, o nível tecnológico e os pilares de sustentação de suas civilizações, se é que há alguma…
Aí entra o trabalho de um designer de mundos. Ele é a pessoa que documenta todas essas informações de modo a dar ao roteirista ou grupo de roteiristas que criam aventuras e contos, que introduzem os jogadores à ambientação, material suficiente e embasamento sólido para que eles realizem suas criações de forma coerente com a temática proposta que foi aprensentada no início da criação daquele universo.
Tudo isso envolve um certo grau de pesquisa, bom senso, tempo e dedicação, à medida do que o projeto exige, então nem todo mundo tem capacidade de criar um mega cenário de rpg para produção comercial, é um caminho árduo e exaustivo pelo qual boa parte de nós jogadores e mestres não estamos preparados para passar, portanto, antes de julgar um título de rpg lançado no mercado, avalie bem esses quesitos…
Não estou dizendo que sejam inexistentes os rpgs comerciais que não mereceriam ser publicados pelo alto grau de caos e amadorismo, ou que todo bom designer de mundos tem como garantido que conseguirá publicar um cenário de rpg apenas por ser bom no que faz, só digo que o ideal, o que no final realmente se espera (ou se deveria esperar) de um bom (e bem pago) profissional do ramo é isso.
É evidente que muitas editoras ainda publicam toneladas de material medíocre por mera indicação, por amizade ou então sabe-se lá que raios de motivo que seja, e muitas vezes isso tira a oportudidade de alguém muito empenhado e bom designer de mundos, que tem as portas de emprego fechadas por causa desses fatores, principalmente no Brasil.
E é pra isso que fiz esse post, pra concientizar os nossos jogadores brasileiros pra que passemos a exigir mais do nosso mercado editorial brasileiro de rpg, pra poder ter trabalhos cada vez mais bem elaborados.



Realmente ainda existe mto amadorismo no ramo de RPG no Brasil.
Ótima postagem!
Eu mesmo tenho como Hobbie escrever cenários e mundos inteiros, e realmente sei do que você está falando!
Acho legal bolarmos um grupo para criarmos um manual com dicas com nossas experiências lá.
O que acham?
Oba, Leandro… essa é interessante sim… já existem manuais mais ou menos assim, o problema é que a maioria dos que são realmente bons e serviriam pra melhorar de verdade a qualidade do rpg no Brasil não estão em português e são um pouco difíceis de se ter acesso… Ontem eu descobri que minha faculdade inaugurou um parque tecnológico que vai servir de encubadora de empresas, e como já estava discutindo com alguns amigos a possibilidade de criar uma empresa de design de mundos, meus olhinhos brilharam com a notícia, quem sabe não é o que nós estavamos precisando?
Sensacional o post, levantou pontos poucos tratados de forma mais séria pelas mídias especializadas. É estranho que poucos ainda tenham se atentado para esse detalhes – ou pode ser apenas uma impressão nossa, seria ótimo todos aqueles que sinceramente manifestem aqui nos comentário do post do Fernando, se pensam nisso seriamente ou se apregoam ao jogo em níveis mais subconscientes da famosa “levada”.
E Fernando, esse post merecia uma continuação
!